Combate à violência contra a mulher na África do Sul



Por Michele Roza / Fotos: Cedidas

Cerca de 90 mil mulheres foram vítimas de feminicídio no mundo todo apenas em 2017, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Um dos continentes que lidera a lista de mulheres assassinadas por seus parceiros ou familiares é o africano (19 mil), antecedido somente pela Ásia (20 mil). No continente africano, as mulheres correm mais riscos na África do Sul, no Senegal e na República Democrática do Congo.

Tendo em vista esses dados alarmantes, o grupo Mulheres em Ação (Woman in Action), em parceria com o grupo Raabe, realiza anualmente uma campanha denominada 16 Dias de Ativismo de Combate à Violência Contra a Mulher e a Criança. Recentemente, conselheiras (esposas de pastores) dos dois grupos se reuniram para a 11ª edição do evento na África do Sul.

Ajudar e mostrar que há esperança

A campanha teve como objetivo destacar o flagelo da violência, que se tornou uma pandemia no país. Durante o período do evento, as conselheiras, treinadas por profissionais da área de assistência às vítimas, ficaram disponíveis em diversos locais de fácil acesso para a população. Dessa maneira, ofereceram esclarecimento sobre direitos e sinais de abuso, orientaram as vítimas de violência e as encaminharam para que recebessem assistência necessária.

“Conseguimos conscientizar e ajudar muitas mulheres. Durante o aconselhamento, pude notar que muitas ‘toleram’ o abuso e se acomodam com a situação, mesmo que isso cause dor e as afete de maneira negativa em muitos aspectos. Muitas vivem com feridas emocionais e passam também a machucar outras pessoas. Essa é uma oportunidade de ajudar e mostrar que há esperança e que elas podem se libertar da escravidão que carregam há anos”, explicou Zandile Ramatlho, voluntária do grupo Raabe.

No total, 130 conselheiras atuaram em diferentes Estados do país. Mais de 10 mil pessoas foram alcançadas. Esse tipo de aconselhamento é oferecido durante todo o ano, mas é intensificado durante a campanha.

“Com esse trabalho, as mulheres percebem que há ajuda disponível e que as portas estão abertas. Elas notam o cuidado e a atenção que temos ao nos aproximarmos. Era visível a sede de cada uma delas de receber ajuda e aliviar o peso de um fardo de dor. Uma delas, que recebeu aconselhamento na primeira semana, voltou na seguinte para contar que já tinha obtido resultados e estava muito agradecida”, disse Mokgadi Mandlasi, voluntária do Raabe.

Enfrentar o passado e avançar sem rancor

As vítimas são incentivadas a falar de suas experiências e, assim, iniciar o processo de recuperação. Um dos exemplos é Fikiswa Ngqabishe, esposa de pastor, que já na infância viveu momentos de dor e sofrimento.

“Minha mãe dizia abertamente que não me amava. Morei com diversos familiares e um em particular abusava de mim sexualmente quase todos os dias enquanto estive lá. Eu também fui espancada muitas vezes e me davam mordidas. Às vezes, minhas roupas eram queimadas.

Isso tudo deixou muitas cicatrizes. Por causa disso, eu não tinha autoestima, me sentia inútil, rejeitada e tinha desejo de suicídio. Eu achava que tudo era minha culpa”, contou.

Mesmo diante de toda essa experiência traumática, ela lutou para ter um futuro melhor. “Me casei e percebi que o passado afetava o meu matrimônio e, por isso, decidi procurar ajuda. O grupo Raabe abriu os meus olhos. No começo, eu tinha muito medo de ser julgada de novo, mas sabia que tinha que fazer algo. Senti pena do meu marido pelo fato dele ter uma esposa com tanta bagagem. O muro que eu tinha construído ao meu redor começou a desmoronar. Construí um novo eu. Consegui avançar sem medo ou rancor. Enfrentei o passado e não permiti que ele destruísse meu presente e meu futuro. Sou uma pessoa transformada, feliz no casamento e meu esposo é meu melhor amigo”, declarou.

Diálogo entre Vítima e Agressor

Por ocasião da campanha, representantes do grupo Mulheres em Ação, que já participam do trabalho de mediação entre vítima e réu sentenciado, também foram convidados para uma ação realizada pelo sistema carcerário do país. O convite foi em reconhecimento ao resultado alcançado pelo trabalho do grupo.

A ação foi em Joannesburgo, a maior cidade da África do Sul. O projeto Victim Offender Dialogue (VOD ou Diálogo entre Vítima e Agressor, em tradução livre para o português) visa oferecer uma oportunidade para que o réu sentenciado possa assumir o seu delito diante da vítima, reconhecer seu crime e fazer um pedido de perdão.

Não é um processo fácil nem rápido, pois consiste na preparação da vítima, que participa de várias visitas e sessões de aconselhamento emocional e espiritual, que também é estendido à família. Quando a vítima se sente segura para confrontar o agressor, é marcada uma audiência dentro da penitenciária. O encontro é acompanhado por autoridades do sistema correcional, assistente social e advogado de defesa, além de conselheiras do grupo Mulheres em Ação.

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