A população assume o controle



Por Redação / Foto: Reprodução

O programa dominical Fantástico, da TV Globo, no ar desde 1973, perdeu cerca de metade de sua audiência nos últimos 20 anos, segundo números do Painel Nacional de Televisão (PNT). O estudo mede o consumo dos programas de TV em 15 mercados brasileiros, as principais regiões metropolitanas do País – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza, Curitiba, Distrito Federal, Florianópolis, Goiânia, Campinas, Belém, Vitória e Manaus.

O PNT indica que o recuo da audiência do Fantástico foi de 47%, um índice altíssimo, ainda que seja levado em conta que a concorrência com a TV por assinatura e plataformas de streaming tenha criado novas opções de entretenimento para os telespectadores. De qualquer forma, significa que o brasileiro tem preferido assistir a outros programas, em razão da queda de qualidade da programação “global”.

Antigamente, o Fantástico reinava absoluto nas noites de domingo na maioria dos lares brasileiros – inclusive por quase falta total de alternativas na época. Mas a audiência de outras emissoras foi crescendo com o investimento em bons e mais úteis formatos de programação, enquanto o programa da Globo tentou, com a entrada no novo século, renovar sua configuração para atrair mais público, mas, segundo mostram os índices, não funcionou.

Essa mudança do costume das famílias brasileiras mostra o poderio da “viseira” que a Globo tentava pôr na população. A viseira é o aparato usado em cavalos e burros que puxam carroças, colocado nas laterais de suas cabeças, para impedir que esses animais olhem para os lados e dirijam a visão somente para a direção que o condutor quer que eles tomem ou que não se distraiam com o que quer que lhes chame a atenção no decorrer do caminho.

A população mostra que se cansou de um monopólio silenciosamente empurrado para as casas e aprendeu que há outras opções ao alcance dos botões dos controles remotos de seus televisores na própria TV aberta, além de outros serviços já referidos. O que antes parecia “fantástico” era banal e visto por falta de opções mais interessantes.

Antigamente, a Globo tentava impor quais músicas os espectadores ouviriam com lançamentos de videoclipes nacionais e internacionais, a quais filmes assistiriam, o que vestiriam e qual seria a discussão da semana. Quando o cidadão começou a exercer seu direito de escolha sem “viseiras”, pôde manifestar seu próprio gosto sem ter sua preferência massificada.

O Fantástico tentou de tudo para recuperar a audiência que começava a ser perdida já nas décadas de 1980 e 1990 exibindo garotas seminuas. A Globo se referia ao programa como uma “revista semanal eletrônica”. Só não especificou que era como aquelas revistas de gosto duvidoso, das que exibem corpos nus para atrair leitores (cada vez mais ausentes nas bancas), baixando o nível da programação.

Não por acaso, algumas dessas “Garotas do Fantástico” terminavam de tirar as peças de roupa em publicações impressas em seguida.

Nessas primeiras duas décadas do século 21 que agora terminam, não faltaram matérias mídia afora sobre a queda de influência da Globo, simbolizada principalmente por um de seus mais famosos programas, o referido dominical. Em outubro de 2007, o site Observatório do Direito à Comunicação publicou na matéria Globo vive crise histórica de público, poder e credibilidade o seguinte trecho: “São visíveis os sinais de que o público depende menos da Globo para se informar e se distrair. A debandada atinge novelas (carro-chefe da audiência global), futebol (sobretudo seleção brasileira), seriados, atrações semanais (como Linha Direta, Fantástico e Esporte Espetacular) e a programação da manhã”.

O público nunca dependeu da emissora da família Marinho para nada. Só foi vítima de seu domínio porque não tinha outras opções. Mas agora está consciente de quem tem e os índices falam por si mesmos.

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